Revista Acontece Regional

Coleção reúne quase duas mil garrafas de aguardente

Guilherme Spagnol, fundador da Spagnhol Plantas Ornamentais, deixou para família um acervo com títulos raros, como a Pelé Caninha, produzida em 1958

A coleção está no Bairro do Cascalho, onde fica a propriedade da tradicional família Spagnhol. São cerca de duas mil garrafas, organizadas em prateleiras, que vão do teto ao chão, no antigo escritório do patriarca Guilherme Spagnhol. As paredes estão lotadas de aguardentes vindas de várias regiões do Brasil: interior de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e outros estados do Nordeste. O empresário, falecido há nove anos, passou cinco décadas colecionando as bebidas, que eram seu xodó. De acordo com a viúva, Maria Dolores Spagnol, o marido gostava de passar as tardes no local, cercado pelas raridades que adquiriu ao longo da vida. “Ele amava este lugar”, relembra.

Tanto zelo fazia com que Guilherme exigisse um cuidado especial com sua coleção. Terezinha Minatel, que trabalha há muitos anos com a família, sempre foi a responsável por organizar as aguardentes. “Eu limpava a sala diariamente e também trocava com frequência os plásticos que usamos para proteger as garrafas. Juntos, nós separávamos as cachaças por cores, rótulos, marcas ou de acordo com a região onde foram compradas. Ele fazia questão de participar do processo”, explica. Após a morte do amigo, Terezinha continua cuidando com esmero do acervo.

A aguardente mais antiga da coleção tem quase 150 anos: é a Botica, produzida em 1873 na cidade de Passos, em Minas Gerais. A bebida tinha este nome porque era engarrafada em frascos reciclados de perfumes ou remédios, já que naquela época as garrafas de vidro eram raridade e custavam muito caro.

Entre as preciosidades, também está uma das cachaças mais amadas do Brasil: a Pelé Caninha. O nome e o rótulo fazem alusão ao jogador de futebol Edson Arantes do Nascimento, mais conhecido como Pelé. A lendária cachaça, hoje famosa entre colecionadores, realmente existiu e foi recolhida por ordem judicial em 1958, após a seleção brasileira conquistar o campeonato mundial na Suécia. Depois que o Brasil venceu a Copa, um fabricante de Piracicaba resolveu homenagear o atleta, criando a cachaça Pelé, sem conhecimento nem autorização do jogador – que não queria vincular sua imagem aos produtos alcoólicos. Aqueles que compraram, guardaram a edição limitada como relíquia.

Um detalhe curioso é que Guilherme Spagnhol nunca bebeu sequer um gole das aguardentes – todas as garrafas ainda estão lacradas. “A intenção dele sempre foi colecionar”, explica Maria Dolores.

Automóvel

Outra relíquia que o empresário deixou para sua família não é alcóolica, mas também faz parte da história de Cordeirópolis. Trata-se de um Chevrolet Master Deluxe 1941. O automóvel foi o primeiro da cidade e facilitou o nascimento de muitos cordeiropolenses: naquela época, as parteiras vinham da cidade para realizar o parto das mulheres que moravam na região do Bairro do Cascalho. “Inúmeras vezes, o Guilherme buscava as parteiras quando alguma família precisava, pois não havia outro meio de locomoção. Quando alguém estava muito doente, também era ele quem trazia os médicos ou um padre para a extrema unção”, relembra Maria Dolores.

Foram várias as urgências solucionadas por Guilherme Spagnhol com o único carro da época, que hoje está na propriedade da família e é herança dos netos Murilo e Mauro Spagnhol, que cuidam da conservação do veículo. O Chevrolet Deluxe, produzido na Argentina, foi comercializado entre 1941 e 1952, tornando-se líder de vendas da marca na década de 40 – durante os anos pós-guerra – até o início da década de 50.

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