Revista Acontece Regional

Limeirense com Síndrome de Down é campeã olímpica

  Conheça a trajetória de Érika Rayza Coimbra, que conquistou o ouro na Ginástica Rítmica, durante os Jogos Latino Americanos das Olimpíadas Especiais, no Panamá

O olhar sempre atento, as atitudes simples e o sorriso tímido não deixam dúvidas: ela é uma menina especial. A mãe, Luciene, concorda: “ela é tudo para mim”, afirma. Érika Raíza Coimbra, de 26 anos, também tem outra característica que algumas pessoas classificam como “especial”: nasceu com Síndrome de Down, uma alteração genética causada por um cromossomo a mais – a presença de três cromossomos “21” em todas ou na maior parte das células de um indivíduo. Isso ocorre na hora da concepção de uma criança. As pessoas com Down têm 47 cromossomos em suas células em vez de 46, como a maior parte da população. A notícia de que Érika era portadora da síndrome veio somente após o parto, em janeiro de 1991. Numa época em que as informações a respeito do assunto eram escassas, o aviso dos médicos deixou a família preocupada e confusa. “Eu sequer tinha noção do que era a Síndrome de Down”, confessa a mãe, Luciene Siqueira Bueno, hoje aos 49 anos.

Mas as dúvidas de Luciene seriam dissipadas nos meses seguintes. Ainda bebê, Érika precisou passar por uma série de tratamentos para combater o hipotireoidismo, os problemas cardíacos e a deficiência intelectual – consequências da alteração genética. Além de lutar contra os problemas de saúde, Érika foi atendida desde cedo pela Associação de Reabilitação Infantil Limeirense (ARIL), onde conseguiu superar várias dificuldades e permaneceu até completar nove anos. Foi quando começou a frequentar o Centro de Estimulação Pedagógica e, por meio das atividades escolares, descobriu o potencial para a dança. Nesta época, a mãe decidiu matricular a filha nas aulas de balé.

Porém, o que deveria ser simples não foi assim tão fácil: Luciene passou três anos tentando uma vaga para Érika no Centro Cultural Coronel Flamínio, mantido pela Prefeitura de Limeira. Isso porque, além de lutar contra as dificuldades impostas pela Síndrome de Down, Érika precisou vencer o preconceito de colegas e até de professores. “Naquela época, as responsáveis pelo curso não queriam receber minha filha, pois achavam que ela não conseguiria acompanhar as aulas como as outras crianças”, relembra a mãe. Para efetivar a matrícula, foi necessária uma conversa com o então secretário da Cultura do município, que atendeu a reivindicação da família. A menina tornou-se a primeira aluna adaptada a frequentar as aulas do Centro Cultural.

Érika surpreendeu a todos e conseguiu provar que as pessoas com síndrome de Down têm muito mais em comum com o resto da população do que diferenças. Com meses de empenho e dedicação, ela não só acompanhou o desenvolvimento das colegas, mas também foi destaque da apresentação da turma no final do ano. A mãe relembra com emoção da primeira vez em que viu a filha nas pontas dos pés, dançando no palco do Teatro Vitória. “Foi um sentimento incrível. Naquele momento, percebi que todo o nosso esforço valeu a pena”, comenta Luciene. Este foi só o início da trajetória de Érika na dança. Ela continuou frequentando o Centro Cultural Coronel Flamínio por cinco anos e, depois tornou-se aluna da Academia de Dança Complexo Royale, onde permaneceu participando de aulas e apresentações culturais durante muitos anos.

Ginástica Rítmica

Em abril de 2016, Érika Raíza passou a frequentar as aulas de Ginástica Rítmica Adaptada, oferecidas pelo Programa de Esportes Adaptados (Proesa), da Secretaria Municipal de Esportes. Com apenas seis meses de treino, a jovem conquistou o ouro nacional nas Olimpíadas Especiais (Special Olympics Brasil), disputadas em Guaratinguetá. Com a nova vitória, aliada aos 11 anos de experiência no balé, as professoras reconheceram o potencial da jovem para a modalidade. Em abril deste ano, Érika foi selecionada para representar o Brasil na terceira edição dos Jogos Latino-Americanos das Olimpíadas Especiais, no Panamá. A disputa reuniu 800 atletas de 18 países, de 20 a 28 de abril. A delegação brasileira contou com 37 esportistas.

Luciene conta que, meses antes, a família passava por um momento difícil, o que fez com que Érika quase deixasse de viajar para o Panamá com os colegas e professores. Ela preferia ficar em casa, ao lado da mãe, oferecendo apoio emocional. “Nós somos muito apegadas e, como eu estava muito triste, ela ficou preocupada comigo e disse que estava com vontade de desistir da disputa”, confessa. O carinho entre as duas é visível: ao ouvir a mãe relembrando do fato, os olhos de Érika se encheram de lágrimas. Porém, Luciene explica que foi contra a ideia e continuou incentivando a filha.

O resultado não poderia ser melhor. Érika ganhou quatro medalhas na Ginástica Rítmica – foi campeã da categoria maças, levando o ouro; também conquistou prata no arco, bronze no all around e o quarto lugar na categoria fita e corda, que também premiou os classificados com medalha. A sensação de ver a filha representando o Brasil e ocupando o topo do pódio – ainda que por fotos e vídeos – foi indescritível, segundo Luciene. “Passou um filme pela minha cabeça. Lembrei de todas as dificuldades que enfrentamos: da Érika ainda bebê, lutando para engatinhar e depois para andar. Ela deu os primeiros passos somente com 1 ano e 10 meses – após muito incentivo da nossa família e dos fisioterapeutas –  e hoje é campeã olímpica. Para nós, é uma vitória muito grande!”, comemora.

Com 1,45 m e 67 kg, a atleta esbanja habilidade e continua participando das aulas de Ginástica Rítmica Adaptada; além de praticar diariamente outras atividades físicas, como natação e ciclismo, também por meio do Projeto Proesa, da Secretaria Municipal de Esportes. Érika Rayza leva uma vida feliz ao lado da família e dos amigos que coleciona por meio dos esportes e, agora, se prepara para novas conquistas. A mãe, Luciene, manda um recado para os pais de outras crianças e jovens especiais: “Nunca deixem de incentivar o potencial de seus filhos, pois os sonhos deles podem se tornar realidade!”, afirma.

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1 comentário

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