Revista Acontece Regional

Seguir em frente

Jovem conta como foi enfrentar a leucemia e receber a melhor notícia: a cura.

 

No dia 7 de março de 2011, Beatriz Olivato Rezende, que estava com 11 anos, sentiu uma forte dor de ouvido. Sua mãe Taise Olivato a levou ao pronto socorro. O médico, a princípio, tinha diagnosticado como uma infecção muito forte no ouvido, mas com a insistência dela, resolveu fazer um exame de sangue. O médico disse que Beatriz estava com uma doença muita grave no sangue e a encaminhou a uma hematologista. “Ela explicou para minha mãe que o que estava me segurando viva era meu baço, pois ele que estava produzindo sangue para me manter viva. A médica nos encaminhou para o Hospital Boldrini, em Campinas, para dar continuidade em meu tratamento e saber o que realmente tinha no sangue”, conta a adolescente.

Beatriz passou por diversos exames no Boldrini e foi diagnosticada com leucemia linfoblástica aguda de alto risco. Os exames constataram que ela tinha apenas 5% de chance de viver, pois o sangue estava tomado pela doença. A partir dai começou a luta pela vida. “Quando descobri a doença da Bia, meu chão se abriu. Sabia que era uma doença grave, mas não tinha noção ainda da grandeza do problema”, diz Taise.

Foram três anos de tratamento intensivo com quimioterapia e radioterapia. Na primeira vez, ela ficou quinze dias internada, quando começou a quimioterapia mais agressiva. Eram dois dias em casa e quinze ou vinte dias no hospital. “Cheguei a ficar quase um mês internada e, em menos de dois meses, já tinha perdido meus cabelos e emagrecido muito. Fiquei longe da escola, dos meus amigos e perdi toda minha rotina diária. Não queria ver ninguém, pois tinha vergonha. Foi ai que minha mãe, minhas avós e meus amigos me deram muita força, me mostrando que havia casos até piores que o meu e que era só uma fase ruim, que logo tudo iria passar e eu ia sarar”.

A mãe diz que foram dias de muita luta e tristeza, momentos em que ela olhava para a filha e ela dizia: “Mãe, não vou aguentar”. Mas a única coisa que podia fazer era passar força e dizer: “Vai sim, Deus está te protegendo. Aguentou até aqui. Está acabando!”. Dizia isso mesmo sabendo que ainda tinha muita coisa pela frente”, conta a mãe, que tinha 26 anos na época. Ela fazia faculdade e trabalhava. “Deixei tudo para trás para poder estar ao lado dela e digo que faria tudo de novo. Foi difícil acompanhar e ver minha filha sofrendo a cada químioterapia, a cada procura de veia, a cada furada. Daria tudo nessa vida para que fosse em mim e não nela’, salienta.

Beatriz conta que o momento que mais chorou foi quando os cabelos caíram. “Ficar careca com onze anos não era fácil. Ver minhas amigas todas normais e eu assim era estranho e eu tinha muita vergonha, mas com o tempo fui percebendo que isso era só um detalhe, que logo iriam crescer novamente. O mais importante era ter minha vida de volta para voltar a fazer tudo que eu gostava”.

Apesar do momento difícil do tratamento e lidar com a doença, Beatriz não reprovou na escola. Os professores davam tarefas e ela fazia no hospital ou em casa. Foi assim que conseguiu passar de ano. Foi poucas vezes na escola porque não podia ter contato; era tudo muito restrito, em razão de sua saúde.

Ao longo de toda luta, teve diversos problemas, como febre alta, baixa da imunidade, mucosite na boca e convulsões. “Houve momentos que realmente achei que não ia aguentar, pois o tratamento era muito difícil. Não tinha mais veia para pegar e os enfermeiros furavam muito para conseguir achar. Acho que foram os piores momentos”.

Em 3 de dezembro de 2013, fez a última quimioterapia. Depois, realizou todos os exames necessários e recebeu a melhor notícia: estava curada da leucemia. Entretanto, ainda tem acompanhamento de médicos e a cada seis meses repete os exames. “Faz dois anos que estou sem fazer quimioterapia”.

“Hoje só tenho a agradecer a Deus, pois valeu cada joelho dobrado, cada noite sem dormir, pois ela está curada e linda. Agradeço também a minha família e a avó paterna, que foi muito importante. Foi uma experiência muito dolorida, pois saber que sua única filha poderia morrer a qualquer momento era assombrador. Mas sempre tive fé em Deus e pedia todas as noites para que deixasse cuidar dela e Ele ouviu, me devolvendo a Beatriz com saúde. Esta experiência serviu como crescimento, tanto meu quanto dela. Hoje consigo não reclamar da vida por pequenas coisas, consigo olhar ao lado e ver que, às vezes, o meu problema é tão pequeno perto dessas crianças que lutam para sobreviver, e com um sorriso no rosto”, enfatiza Taise.

 

SONHO REALIZADO

Beatriz tinha o sonho de conhecer a Disney e, e um dia, sua mãe ficou sabendo da ONG “Make a Wish”, que realizava sonhos de crianças com câncer. Estava ali a oportunidade de Beatriz conhecer um lugar que sempre quis. “Além de realizar meu sonho, era uma forma de fazer com que eu acreditasse que lutar contra a doença valeria a pena. Escrevi a carta contando minha história. Depois de dois anos de espera, em outubro deste ano, fui conhecer a Disney. Foi um sonho inesquecível; fui tratada como uma rainha, desde o momento que sai de casa até a volta, em São Paulo. Fui levada ao aeroporto de limusine, fizeram estrela da fama, arco de bexigas e tapete vermelho. Foi tudo muito lindo, sem dizer que os parques são lindos; realmente é um sonho”.

Hoje, Beatriz está com 16 anos e tem uma história de superação e com final feliz para contar. “Nunca desista! Em primeiro lugar acredite em Deus, pois em todos os momentos foi Ele que me deu forças e me devolveu a vida. Viva cada instante como se fosse o último, ame e abrace todos seus familiares e amigos porque é neles que você encontrará forças para seguir em frente”.

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1 comentário

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